quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Irrelevante 4x4 (Eb)

Vocês, que me seguram as pernas
que não me deixam torto pelo espaço

Vocês, que em minha própria liberdade
me obrigam a ater-me aos seus limites...

Papéis, linhas, tinta...
A prisão de minhas palavras.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Bem-me-queira

versinho para Fernanda N. Tomiotto.


Desespero-me,
Como mal-te-quero,
se tudo que quero é amar-te?

Amar-te do sorriso ao pranto
e ainda que enfrente todas as batalhas
e, por elas, não receba nenhum prêmio
prêmio este já tenho; amar-te tanto.

Embora o que sou seja pequeno,
amar-te é grande...

E, como mal-te-quero,
se tudo que tens de mim é amor bastante?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Irrelevante 110 (si bemol)

29% era escuro e profundo

10% era cruzeiro do sul

4% não era nada

67% era amor, em vermelho e azul.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

vê se há em mim algum caminho mal...

salmo 139

O teu riso

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Neruda

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Irrelevante 100 [ Am > cinza-chumbo ]

-CINZA NÃO! POR FAVOR, CINZA NÃO!

Caio implorava. Não havia ninguém ao seu redor. Era como se ele gritasse para si mesmo.
Instantes depois ele caía de joelhos, ofegante, extremamente cansado e suas palavras soavam como se estivesse chorando...

-Por favor, não deixe o teto ser pintado de cinza novamente. Ele nunca foi tão bonito quanto é agora, azul e vermelho. Não estrague de novo!

Somente quem ouviu foi ele mesmo, quem precisava ouvir...










P.s.: cinza equivale a um Am.