segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

G major

Estava lá, no meio da música, uma bela frase que expressava mais do que ele podia tentar escrever: Seu amor é uma sinfonia, toda em volta de mim, correndo por mim...
Seu desejo era de ter escrito essas palavras, sentado em seu piano durante a madrugada longa e fria, enquanto ela dormia serena a tranquila, como se ouvisse a música que ele compunha como uma demonstração de toda a dimensão de seu sentimento.
Seu desejo era de ter escrito essas palavras...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Trigonometria

É incrível a capacidade mutável do ser humano. Mais incrível é a maneira que atropelamos nossas próprias vivências para nos apropriarmos dessa "mutação" pré-definida: liberdade.
Lembro-me de quando tocava o celular no modo vibra-call e era necessário pedir a cobertura de um ou dois colegas para atender a ligação sem que o professor percebesse, caso contrário creepy. Ou ainda, nos dias de inverno, quando não era mais suportável assistir as aulas de trigonometria, fazíamos de tudo para esconder os fones de ouvido por dentro do capuz da blusa de frio e torcíamos para que nenhum fiozinho aparecesse ou que o som da música não ficasse alto o suficiente para perceberem que havia alguém burlando uma lei estudantil perigosíssima.
Então nos formamos e tomamos posse de uma aparente liberdade onde - já maiores de idade - tudo nos é possível. Fazemos nossas faculdades, compramos carros, cozinhamos nossas próprias refeições, tomamos cerveja com os amigos e, de repente, somos grandes.
Nostalgiamos-nos.
Sentimos falta do "perigo" de atender o telefone durante a aula, dos amigos que seguiram rumos opostos ao nosso e da comida feita pela mãe.
Dormimos.
É outro dia, tudo já passou e precisamos voltar aos trabalhos, faculdades, cozinhas e cervejas.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Arte

Terça-feira. Era noite de concerto no teatro principal da cidade. Ele sentara na sétima poltrona da segunda fila do piso superior, deixou uma bolsa na poltrona do lado esquerdo como se esperasse por alguém.
Faltavam vinte minutos para o início do concerto. O teatro se enchia numa velocidade aparentemente normal. No piso superior o movimento era sempre menor, poucas pessoas escolhiam aqueles lugares no alto do teatro.
Ele parecia tranqüilo, mexia no seu celular para passar o tempo e, esporadicamente, olhava para o palco e para os lados. Estava vestido com um jeans preto surrado e uma camiseta cinza, usava um tênis all-star nos pés e tinha cabelos mal cortados... Ao seu estilo tinha seu charme.
Cinco minutos para o início, soava a primeira campainha avisando a proximidade do horário marcado.
Próximo à sétima poltrona se aproximava uma linda moça de cabelos escuros e olhos claros. Envolvida com um vestido preto deslumbrante ela se achega ao lado do moço e o cumprimenta com um sorriso tímido.
Era ela. Não havia nada combinado, mas, de certa forma ele sabia que a encontraria naquele lugar.
Ficara nervoso e, por um instante, faltaram as palavras. Mas logo eles conversavam como se já se conhecessem há anos, sem mesmo saber os nomes, o que não era importante, bastavam os olhares compenetrados um no outro.
Durante o concerto não trocavam muitas palavras, somente apreciavam a boa música e, por hora, lançavam sorrisos desconcertados.
Ao término ficaram conversando por mais um tempo no hall do teatro e depois se despediram com um beijo no rosto. Os dois iam para direções opostas enquanto pensavam se poderiam se encontrar novamente no próximo concerto.

Beethoven sorria em Lá Maior.

sábado, 3 de outubro de 2009

Era, então, a primeira vez que acontecia aquele desentendimento. Ele, após o segundo dia, sentia saudades de sua amada e queria estar junto dela novamente. Ela demonstrava mágoa e descaso.
Ele não queria mais tentar explicar nada do que havia ocorrido, seu único e real desejo era que tudo fosse esquecido e seus braços e ouvidos se abrissem para a primeira reaproximação de um afastamento que não devia ter existido.
É tarde da noite e após um dia péssimo, ele deita em sua cama para ver mais um episódio de sua série favorita. A coincidência o deixa paralisado; os personagens da série vivem seu mesmo conflito: o mocinho chateia a mocinha e não sabe o que fazer para ter novamente sua graça e seu sorriso de volta. Fim de série por aquela noite e antes de dormir a única coisa que consegue pensar é no sorriso perdido daquele dia; o sorriso da mona lisa que, ainda que incógnito, era sua alegria do levantar ao deitar. Ele sentia a mesma sensação que Da Vinci deve ter tido por sua vida ao olhar mona lisa quando levantava e quando deitava... mas nesse dia mona lisa se perdeu.
Ele não queria mais tentar explicar nada do que havia ocorrido, seu único e real desejo era que tudo fosse esquecido e seus braços e ouvidos se abrissem para a primeira reaproximação de um afastamento que não devia ter existido.

Perdoa, meu amor, perdoa - ele dizia em seu silêncio.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Bravojardim Arrebenta (ou Irrelevante -56)

Então, tenho essa coisa que já falei no post anterior, mas também tem essa outra coisa de nomes.
sabe quando se lê aqueles nomes bizarros de pessoas? Ou quando não tem nada de bizarro em alguma coisa mas, de tanto repetir, acaba se tornando bizarro e não fazendo mais sentido nenhum?
Não?
Pois bem, eu tenho isso (ela tem também, acabou de me falar).
Mas o que eu estive pensando não tem nada a ver com a parte de repetir.
Florbela Espanca.
Só de escrever isso já da vontade de rir.
Po que diabos alguém Espanca no próprio nome?
Na verdade é genial! Florbela Espanca.
Espanca quem? Espanca o quê?
Será que já existia o verbo espancar quando ela foi concebida?
Aliás, FLORBELA.
Bela flor que espanca.
Que genial isso! Que pais geniais!

*Fica a sugestão pro nosso filho (já que você tá aqui do lado):

Bravojardim Arrebenta

Boa noite.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Irrelevante (27)

Eu tenho um pouco dessa coisa de avisar do que eu vou falar mesmo não querendo. Queria que fosse um daqueles posts no qual a história começa sem que o autor tenha que dizer nada... mas eu tenho um pouco dessa coisa.

O fato é que esse post vem a ser efetivamente o primeiro post de conotação “blogueira”. É um tanto frustrante isso pra mim, porque dá a impressão de que eu fiquei totalmente sem idéias do que escrever (muito mais do que eu já tenho escrito aqui), mas estive pensando sobre uns assuntos e achei que seria um questionamento bacana pra ser colocado nesse blog, até porque as únicas pessoas que talvez leiam isso são as que eu quero que tenham o mesmo questionamento (ou só que leiam e não tirem conclusões, o pensamento é meu mesmo).

Pois bem, sono atrasado.

Sono atrasado é o assunto que coloco em discussão comigo mesmo.

Acho que esse negócio de sono atrasado não passa de uma desculpa pra se manter num ócio institucional (em prol do seu próprio bem estar de dormir).

-Ah, eu viajei pra uma cidade que fica a 32 quilômetros daqui e fui pra 9 baladas e bebi 87 litros de desodorante... nem dormi, to com umas 23 horas atrasadas de sono!

Ta o escambau! Ficou acordado porque quis, agora fica com desculpinha de sono atrasado pra curar a ressaca de desodorante – que por sinal é uma das piores – e dormir até doer a coluna, aí levanta pra dar uma mijada e volta pra cama até doer a coluna de novo.

Sono é só aquele que você dorme a noite (ou de dia, dependendo do hábito de cada um) e fica as 8 horas necessárias pra um bom descanso... que pra mim também é uma sacanagem; quem quiser dormir menos horas por noite, que durma, oras (haha).

-Ahh, eu durmo 2 horas por noite e acordo super bem, sou super demais!

(essa foi uma sátira de mim mesmo)

Encerro.

Como.

Durmo.

Como?

Nada.

Irrelevante (16)

...e assim que ele redescobriu a infância, pôde deixar a vida.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Irrelevante (2)

penso.
durmo.
como.
levanto.
deito.
olho.
ando.
escrevo.
falo.
ouço.
como?
nado.
como?
nada.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Mi Fá Sol Em Dia De Chuva, Dó Ré

me mantenho sustenido

domingo, 5 de julho de 2009

Irregular

http://www.youtube.com/watch?v=A_mCueqFM8Y

Irregular é o reflexo do tempo na sociedade. Alternâncias de velocidade e sentido retratam uma forma de vida muito comum nas sociedades modernas. Vemos, nessas sociedades, que tudo prima por evolução rápida, constante e sólida.
Esse valor tem se tornado algo tão forte e auto-suficiente no meio social, que a preocupação simplista dos valores, talvez fraternos - no sentido de uma vivência bela e comum com os indivíduos e o meio - parecem estar andando numa marcha lenta e inversa.
Irregular nada mais é que um espelho quebrado lançando fragmentos de si mesmo pelos ares em busca de alguém que monte seus pedaços como um quebra-cabeças.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Enchente, enchendo a gente
descarga cerebral

segunda-feira, 16 de março de 2009

Deus x Renatão

“Se o amor é verdadeiro, não existe sofrimento”.
Ouvi essa frase da boca de Renato Russo, se não me engano, no cd ao vivo “como é que se diz eu te amo”.
Nunca pensei muito nisso, apesar de falar a frase engajadamente todas as vezes que ouvia o cd. Aí vemos como é o ser humano, um ser que devia ser racional, mas sequer pensa na letra da música que canta (tudo bem, não era uma música, mas estava entre duas músicas).
Ouvi de novo essa frase ontem pela tarde quando me contavam de um amigo que supostamente sofria de amor. “Não se pode sofrer se é amor de verdade, amor não é uma coisa triste, é felicidade”. Fiquei pensando nisso, tentando receber essa idéia “nova”, que há tempos já ouvia, mas não consegui, não simplesmente por não conseguir, mas é que, pra mim, o amor não pode ser definido como um outro sentimento, vai muito além, é uma mistura de tortas salgadas e tortas doces em um mesmo liquidificador esperando pra formar uma só torta. O que eu quero dizer é que eu não consigo conceber a idéia de que “amor é felicidade”, claro, no amor há felicidade, mas não se pode dizer, em sua totalidade, que é uma só coisa... Indo um pouco mais além, me peguei lendo – na Bíblia - 1 Coríntios 13, onde está escrito “o amor é sofredor, é paciente, é benigno...” e um pouco mais pra frente no mesmo texto ainda está escrito “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.
"Porque Deus AMOU o mundo de tal maneira que deu seu Filho...", será que Deus não sofreu ao dar seu único filho pra morrer por um monte de ingratos? Não é possível que Ele tenha sentido alegria ao dar seu filho para morrer, mas Ele suportou, porque o amor tudo suporta, Ele sofreu, porque o amor tudo sofre...
Quem estava certo, Deus ou Renato Russo? Um poeta ou o Criador do mundo?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Paraíso é logo alí

A morte é o começo da vida.
Vive quem é criança

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mãos dadas à mil quilômetros

Olhar sagaz e sorriso cativante... um outono distante.

Taciturnidade

Abstenção total de ruídos; silêncio.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O fim é só o início

ossi iav res otium siam licifid od euq ue avanigami, rop ossi uov rarap.

Fujo, então, da proposta inicial, para fazer algo que demore menos de cinco minutos para concluir cada frase. Na verdade, acho que não preciso fugir da proposta - já que a proposta partiu de mim e posso mudá-la quando e como me sentir melhor.
Fim.