Terça-feira. Era noite de concerto no teatro principal da cidade. Ele sentara na sétima poltrona da segunda fila do piso superior, deixou uma bolsa na poltrona do lado esquerdo como se esperasse por alguém.
Faltavam vinte minutos para o início do concerto. O teatro se enchia numa velocidade aparentemente normal. No piso superior o movimento era sempre menor, poucas pessoas escolhiam aqueles lugares no alto do teatro.
Ele parecia tranqüilo, mexia no seu celular para passar o tempo e, esporadicamente, olhava para o palco e para os lados. Estava vestido com um jeans preto surrado e uma camiseta cinza, usava um tênis all-star nos pés e tinha cabelos mal cortados... Ao seu estilo tinha seu charme.
Cinco minutos para o início, soava a primeira campainha avisando a proximidade do horário marcado.
Próximo à sétima poltrona se aproximava uma linda moça de cabelos escuros e olhos claros. Envolvida com um vestido preto deslumbrante ela se achega ao lado do moço e o cumprimenta com um sorriso tímido.
Era ela. Não havia nada combinado, mas, de certa forma ele sabia que a encontraria naquele lugar.
Ficara nervoso e, por um instante, faltaram as palavras. Mas logo eles conversavam como se já se conhecessem há anos, sem mesmo saber os nomes, o que não era importante, bastavam os olhares compenetrados um no outro.
Durante o concerto não trocavam muitas palavras, somente apreciavam a boa música e, por hora, lançavam sorrisos desconcertados.
Ao término ficaram conversando por mais um tempo no hall do teatro e depois se despediram com um beijo no rosto. Os dois iam para direções opostas enquanto pensavam se poderiam se encontrar novamente no próximo concerto.
Beethoven sorria em Lá Maior.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Era, então, a primeira vez que acontecia aquele desentendimento. Ele, após o segundo dia, sentia saudades de sua amada e queria estar junto dela novamente. Ela demonstrava mágoa e descaso.
Ele não queria mais tentar explicar nada do que havia ocorrido, seu único e real desejo era que tudo fosse esquecido e seus braços e ouvidos se abrissem para a primeira reaproximação de um afastamento que não devia ter existido.
É tarde da noite e após um dia péssimo, ele deita em sua cama para ver mais um episódio de sua série favorita. A coincidência o deixa paralisado; os personagens da série vivem seu mesmo conflito: o mocinho chateia a mocinha e não sabe o que fazer para ter novamente sua graça e seu sorriso de volta. Fim de série por aquela noite e antes de dormir a única coisa que consegue pensar é no sorriso perdido daquele dia; o sorriso da mona lisa que, ainda que incógnito, era sua alegria do levantar ao deitar. Ele sentia a mesma sensação que Da Vinci deve ter tido por sua vida ao olhar mona lisa quando levantava e quando deitava... mas nesse dia mona lisa se perdeu.
Ele não queria mais tentar explicar nada do que havia ocorrido, seu único e real desejo era que tudo fosse esquecido e seus braços e ouvidos se abrissem para a primeira reaproximação de um afastamento que não devia ter existido.
Perdoa, meu amor, perdoa - ele dizia em seu silêncio.
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