Lembro-me de quando tocava o celular no modo vibra-call e era necessário pedir a cobertura de um ou dois colegas para atender a ligação sem que o professor percebesse, caso contrário creepy. Ou ainda, nos dias de inverno, quando não era mais suportável assistir as aulas de trigonometria, fazíamos de tudo para esconder os fones de ouvido por dentro do capuz da blusa de frio e torcíamos para que nenhum fiozinho aparecesse ou que o som da música não ficasse alto o suficiente para perceberem que havia alguém burlando uma lei estudantil perigosíssima.
Então nos formamos e tomamos posse de uma aparente liberdade onde - já maiores de idade - tudo nos é possível. Fazemos nossas faculdades, compramos carros, cozinhamos nossas próprias refeições, tomamos cerveja com os amigos e, de repente, somos grandes.
Nostalgiamos-nos.
Sentimos falta do "perigo" de atender o telefone durante a aula, dos amigos que seguiram rumos opostos ao nosso e da comida feita pela mãe.
Dormimos.
É outro dia, tudo já passou e precisamos voltar aos trabalhos, faculdades, cozinhas e cervejas.